Ninguém percebeu ainda o que é que o governo e o PS pensam negociar com a oposição para se alcançar na Assembleia da República um acordo político responsável no âmbito do debate do orçamento do Estado.
Sabe-se que o PSD respondeu dizendo-se pronto a negociar mas segundo as condições que enunciou.
Aparentemente, tudo se conforma a uma reacção do governo/PS e do PSD ao convite de Cavaco Silva, na sua mensagem do Ano Novo.
Percebe-se a intenção do PSD que não quererá deixar ao governo o benefício de vítima da irresponsabilidade da oposição. E espera-se que tudo resulte de inteligente táctica e não de manifesta ingenuidade. Assim como que: «ah! Se queres negociar, então vamos a isto … e mostra lá o que vales»!
O que não se entende é a intenção do governo e do PS. E apenas porque os tempos já não são de jogos florais!?
Por um lado, vemos o primeiro Ministro Sócrates a persistir na prosaica acusação ao parlamento e ao mundo de que não é possível governar com dois orçamentos: um do governo e outro da Assembleia da República. O que supõe total indisponibilidade para qualquer acerto substancial com a oposição.
Por outro lado, vemos o PS, através do dirigente nacional do partido, António Costa, a insistir na tecla desgastada mas ofensiva de que o PSD está sem norte nem direcção, que não existe como organização política confiável, que é um partido ao Deus- dará, instável e imprevisível, desleal e infiel a compromissos, com quem não se pode negociar. Costa recusa-se a respeitar o PSD e os seus orgãos directivos legítimos e em pleno funcionamento.
Perante isto, sem objecto declarado nem «parceiro» confiável, alguém acredita na boa-fé negocial de Sócrates e do PS?
Será possível negociar-se o «nada» com o «ninguém»?
Está visto: Sócrates não muda de folclore e o PS mantém o mesmo cartaz do espectáculo!
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